Turismo espacial como é feito até agora pode estar com os dias contados

21 de Abril de 2008 9:48pm
godking

O turismo espacial como é feito até agora, com o pagamento de cerca de US$ 20 milhões em troca de um lugar em uma das naves Soyuz russas com destino à Estação Espacial Internacional (ISS), pode estar com os dias contados. É a opinião de Vitali Lopota, presidente da corporação espacial Energia, porque "a Estação Espacial Internacional não é para os turistas, mas para atender às necessidades dos habitantes da Terra".

O diretor da agência espacial russa Roscosmos, Anatoli Perminov, já definiu o ano de 2010 como prazo para acabar com as passagens à plataforma orbital, mas disse que todas as pessoas com as quais já se assinou contrato voarão à estação, segundo a agência Interfax.

Perminov explicou que segundo os acordos internacionais, quando são lançados módulos científicos japoneses e europeus a tripulação da Estação Espacial deve ser de seis pessoas, e nesse caso não haverá espaço para turistas.

O chefe da Energia, consórcio responsável pela construção dos foguetes Soyuz, disse que, se o programa espacial russo receber o financiamento necessário, não teria mais que recorrer ao turismo como fonte de receita, segundo a agência oficial Itar-Tass.

Caso contrário, acrescentou, em um futuro, "teríamos que continuar reservando espaço nas Soyuz para os turistas".

No entanto, nem tudo está perdido para os multimilionários que querem gastar parte da fortuna para realizar o sonho de ir ao espaço, já que a Roscosmos oferece outra alternativa: a compra de uma das naves.

"Se um multimilionário russo ou estrangeiro continuar com o desejo de voar ao espaço e ficar durante uma semana na ISS, pode adquirir uma Soyuz", disse o subdiretor da Roscosmos, Vitali Davidov.

Davidov reconheceu que uma Soyuz custaria "muito dinheiro", por isso, além dos turistas, companhias e Governos também poderiam adquirir as naves com o objetivo de desenvolver seus respectivos programas espaciais.

A Rússia recorreu ao turismo espacial no início desta década devido à grave crise de financiamento que atingiu seu programa especial após a queda da União Soviética, a primeira potência a enviar um homem ao espaço exterior, em 1961.

Desde 2000, cinco turistas viajaram à ISS a bordo de uma Soyuz acompanhados de outros dois astronautas profissionais: Dennis Tito, empresário do setor financeiro e ex-cientista da Nasa, em maio de 2001; o sul-africano Marc Shuttleworth, que realizou alguns testes científicos relacionados à Aids a bordo da ISS; o milionário americano Gregory Olsen, um cientista de 60 anos, em outubro de 2005; Anousheh Ansari, uma empresária da área das telecomunicações americana de origem iraniana; e, em 2007, o milionário americano de origem húngara Charles Simonyi, de 58 anos, e um dos fundadores da Microsoft, criador dos softwares Word e Excel.

Fonte: Agência EFE

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