O turismo cubano do presente e do futuro

07 de Outubro de 2019 12:53pm
Redação Caribbean News Digital Portugues
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O turismo cubano amplia seu aposta pela consolidação como o setor mais dinâmico da economia cubana, com rendimentos importantes, especialmente agora que a Ilha atravessa uma situação especial com algumas penúrias e dificuldades.

 Assim o constatou o ministro do ramo, Manuel Marrero Cruz, quem assistiu à terceira jornada da Bolsa Turística “Destinos Gaviota” que se desenvolve nestes dias no polo turístico de Varadero com a assistência de uns 760 delegados de agências de viagens, operadores de turismo, companhias hoteleiras, linhas aéreas e outras entidades vinculadas ao mundo das viagens e o turismo.

Depois de fazer um breve percurso pelos inícios do Ministério de Turismo de Cuba, gerado após 1959 pela fundação do Instituto Nacional de Turismo, com faixa de ministério, Marrero destacou que Varadero, a sede de Destinos Gaviota, continua sendo o polo turístico mais importante do país, seguido, em ordem de importância, por Havana, Villa Clara, Ciego de Ávila e Holguín.

O ministro fez uma pormenorizada apresentação da situação atual do turismo cubano e as perspectivas de desenvolvimento futuro a curto e médio prazo.

Explicou que a planta hoteleira atual em Cuba ascende a 73 mil 247 habitações com standards internacionais. O 72% dessas habitações classificam como de 4 e 5 estrelas.

Disse ademais que a entrada dos turistas que chegam a Cuba se realiza por 10 aeroportos internacionais, 10 marinhas e 3 terminais de cruzeiros, o que garante que os principais destinos turísticos cubanos estão associados a portos primeiramente.

Na atualidade, um total de 58 linhas aéreas estrangeiras, entre companhias regulares e de voos charter, chegam a Cuba, ligando à ilha com 43 cidades das mais importantes do mundo.

No entanto, o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba tem significado perdas importantes para o setor turístico que, em opinião do Ministro Manuel Marrero, ascendem hoje a 38 mil 722 milhões de dólares. Acrescentou que com a vigente proibição aos cidadãos norte-americanos a visitar Cuba, o país vê-se obrigado a competir com o resto do Caribe por uns 15 milhões de turistas, a metade dos quase 30 milhões que chegam à região hoje em dia, (os outros 15 milhões são viajantes estadunidenses).

“É Cuba o único país do mundo, o único país do mundo onde um cidadão dos Estados Unidos não pode viajar livremente como turista. Um norte-americano pode visitar como turista Síria, Irão, Coréia do Norte. Talvez, o governo não recomende-o, mas não pode proibi-lo. Por lei, os norte-americanos têm proibido viajar a Cuba”, disse Manuel Marrero aos assistentes a Destinos Gaviota.

A marcha do investimento estrangeiro no turismo

Mais adiante em sua intervenção, o titular cubano do Ministério de Turismo se adentrou nos investimentos estrangeiros vinculadas ao setor turístico, e explicou que na atualidade, o Ministério possui uma carteira de oportunidades de 176 projetos que se oferecem ao investimento estrangeiro.

Disse que só no ano em curso, se investiram 3 mil 46 milhões em moeda total, dos quais mais de 3 mil milhões estão dedicado à construção de novos instalações hoteleiras. Neste ano -expressou mais adiante- termina-se mais de 4 mil novas habitações. Para o 2020, inaugurar-se-ão 26 novos hotéis que contribuirão 4 mil 100 habitações.

Referiu-se aos novos hotéis que abrirão proximamente em Cayo Cruz, um novo destino cubano situado ao norte de Camagüey em onde primam uma maravilhosa natureza e excepcionais praias virgens. Cayo Cruz tem acesso tanto desde Cayo Coco como da província de Camagüey.

“O investimento estrangeiro no turismo cubano está dirigido a renovar a planta hoteleira existente e a construir novos hotéis. Está aberta ao desenvolvimento imobiliários sócios aos campos de golfe; está aberta ao desenvolvimento de parques temáticos com alta tecnologia”, disse o ministro Marrero.

Comportamento do turismo internacional em Cuba

Cuba possui hoje uma taxa de repetência de turistas do 41,3 por cento, especialmente entre os viajantes canadianos, disse o ministro cubano de Turismo.

Um 30 por cento dos turistas que hoje viajam à ilha têm conhecido sobre o destino através de Internet, seguido por um 20,6 por cento que se inteiraram nas agências de viagens. O maior por cento, um 30,2 por cento, chega a Cuba mediante as recomendações amigos e familiares.

Quanto à hierarquização das razões pelas que os turistas estrangeiros escolhem o destino Cuba, um 29 por cento vem em procura das praias cubanas, contra um 22 por cento que chega para desfrutar de sua cultura e seu património.

Um 23 por cento quer fazer contacto com o povo cubano, enquanto o 12,8 por cento explica que viajam a Cuba por tratar de um destino seguro.

 

Face ao futuro imediato

O ministro de Turismo de Cuba disse aos assistentes congregados no Hotel Meliá Marinha Varadero que o país se encontra enfrascado num amplo processo inversor para generalizar a conexão por Wi-Fi em todos os hotéis de Cuba, em todas as áreas comuns, nas habitações, nos jardins e inclusive nas praias e ónibus de turismo.

“Começamos um processo gradual para não cobrar a conexão Wi-Fi a Internet, de maneira que esteja incluída no pacote que o turista compra”, disse Marrero no meio de aplausos prolongados dos delegados presentes no evento.

“Proximamente, os turistas que cheguem a Varadero, quando se subam aos autocarros turísticos já estarão ligados a Internet, com conexão Wi-Fi gratuita”, acrescentou, explicando que começar-se-á por Varadero por serem um polo no que funciona a conexão 4G de maneira generalizada.

Mesmo assim, manifestou que a empresa cubana de telecomunicações, ETECSA, tem assinado contratos com vários países que figuram entre os principais mercados emissores de turismo a Cuba com o fim de diminuir o custo do roaming e permitir que os telefonemas desde os telefones celulares possam economizar-se.

O próprio processo inversor em matéria de telecomunicações entranha a localização das zonas de silêncio que há no país para que as mesmas desapareçam e tenha cobertura a todo o longo e largo da Ilha. 

Cuba conta na atualidade com mais 26 mil 742 habitações em casas particulares que ofertam alojamentos ao turismo internacional, as quais, até o fechamento do primeiro quadrimestre do 2019, tinham recebido 1 milhão 692 mil 695 turistas.

“Hoje, todas as cidades de Cuba contam com mais habitações privadas que quartos nas instalações hoteleiras pertencentes a companhias nacionais e estrangeiras, sem contar com os mais de 2 mil restaurantes privados que tem Cuba na atualidade”, disse Marrero Cruz.

A médio prazo, concretamente até 2030, Cuba desenvolverá um total de 741 projetos turísticos, dos quais 437 pertencem a alojamentos, 92 vinculados à recreação, 12 desenvolvimentos imobiliários sócios a campos de golfe. Outros 29 são de turismo de natureza, 54 desenvolvimentos para o campismo. Mesmo assim existem 32 para a ampliação e melhoria da náutica recreativa, e 82 de logística associados a transportação, armazenamento e outras tarefas vinculadas ao turismo.

Ao final de sua ampla intervenção, Manuel Marrero citou que entre as prioridades do Ministério de Turismo para o futuro estão continuar a elevar a qualidade, a construção de novas habitações, ampliar a utilização das novas tecnologias em Havana e outras cidades culturais do país, melhorar a promoção e a comercialização, e potenciar todas as modalidades turísticas.

“Outra prioridade será desenvolver o turismo privado, e promover a Cuba como um destino de paz, de saúde e de segurança”, concluiu dizendo o Ministro cubano de Turismo.

“Destinos Gaviota” é um espaço propício para o intercâmbio profissional e para que os delegados conheçam de primeira mão as novidades do grupo de turismo Gaviota e de seus sócios comerciais em Cuba.

À primeira edição, celebrada em 2018, foram mais 300 representantes de diversas empresas. Neste ano, no entanto, o evento consolidou-se como uma das carteiras mais sobressalientes e atraentes dedicadas ao sector do turismo com que conta Cuba nestes momentos.

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