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Cemitério de Havana resguarda monumento a vítimas alemãs do conflito de 1870

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Num solene ato ao que assistiram os embaixadores de França e da República Federal de Alemanha, os senhores Patrice Pauli e Thomas Neisinger, respectivamente; o Historiador da Cidade da Habana, Dr. Eusebio Leal Spengler; embaixadores da comunidade europeia nesta capital, bem como importantes personalidades cubanas e estrangeiras, ficou inaugurado no Cemitério de Colon, depois de uma consente e detalhada renovação, o Obelisco, monumento de recordação a duas vítimas alemãs do conflito franco-prussiano de 1870.

Ante uma oferenda floral aos caídos fizeram uso da palavra os embaixadores Pauli e Neisinger, seguidos de Leal, e todos coincidiram em que a paz mundial e a resolução pacífica dos conflitos deve seguir sendo o objetivo fundamental da cada um dos governos atuais.

A seguir as palavras íntegras da cada um deles:

Embaixador de França, Excmo. Sr. Patrice Pauli

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Bons dias, para nós os embaixadores de Alemanha e França é um dever, uma honra e uma mordomia poder lhes saudar hoje aqui no Cemitério de Colon.

   Hoje recordamos um acontecimento que por diferentes razões tem grande importância. Entre julho de 1860 e maio de 1871 teve guerra entre França e Alemanha. No marco desta, o navio de guerra francês “Bouvet” e a canhoneira de vapor “Meteor” da marinha real prussiana, efetuaram um combate a 10 milhas da costa cubana, considerado o último duelo de cavalheiros na história da marinha.

Para proteger às pessoas que nada tinham que ver com o assunto, os comandantes de ambos barcos decidiram resolver a disputa em alta mar, onde 11 marinheiros resultaram feridos e dois membros da tripulação alemã perderam a vida.

   A nome do consulado alemão na Habana, foram sepultados aqui em 10 de novembro de 1870. Mais tarde os membros da colónia alemã em Cuba erigiram este monumento com o nome dos caídos.

   Estes acontecimentos e o monumento teriam passado ao esquecimento se o Historiador da cidade da Havana, tão consente da história não tivesse procedido ao restaurar exemplarmente. Expressamos-lhe nosso grande agradecimento por este ato de humanidade e consciência histórica.

   O monumento não reflete unicamente uma tragédia humana senão que recorda também tempos passados nos que uma guerra se fazia seguindo regras vinculantes, cingidas exclusivamente em vos combatentes vinculados e mantendo protegida e a salvo à população civil e a terceiros países.

   Por muito que repudiamos qualquer um tipo de guerra, teria que se sentir satisfeitos se essas regras seguissem se respeitando escrupulosamente nos conflitos de nossa contemporaneidade.

Embaixador da República Federal Alemã: Excmo. Sr. Thomas Neisinger

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Este monumento faz-nos ver o perigo da internacionalização dos conflitos.    Até confrontos muito longínquos podem repercutir negativamente em nossas vidas. A guerra não é capaz de resolver conflitos duradouramente. A resolução pacífica dos conflitos tem que seguir sendo o objetivo de nós todos.

   Estamos muito orgulhosos de que Alemanha e França tenham aprendido as lições do passado. Apesar dos numerosos confrontos históricos, a amizade e colaboração franco-alemã têm conseguido estabelecer os fundamentos duradouros de uma Europa estável e livre da violência armada. A presença de meu colega francês nesta oferenda florar, num lugar de recordação de marinhos alemães, é um exemplo disso e me comove muito.

   Quando em 22 de janeiro de 1863, a 18 anos do fim da segunda guerra mundial, quando se assinou o Tratado dos Eliseos, o que estava em primeiro plano era sobretudo a reconciliação e o entendimento entre França e Alemanha, dois inimigos jurados, com a assinatura do novo tratado franco-alemão, o passado 22 de janeiro de 2019, temos elevado nossa relações a um novo nível, cimentando-as para o futuro.

   A atualização do passado permite-nos evitar os erros históricos e concentrar-nos nos que é dever de todos nós: a criação de uma comunidade internacional harmônica e livre de conflitos em Europa, no continente americano, no mundo inteiro.

Historiador da Cidade: Dr. Eusebio Leal Spengler

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Distintos embaixadores de França e a República Federal de Alemanha, excelentíssimos senhores embaixadores da comunidade europeia aqui conosco; Dr. Eduardo Torres Cueva, presidente da Academia de História; distintos colaboradores meus, senhoras e senhores, nos reunimos aqui para um ato muito formoso e me compraze muitíssimo poder ser parte dele.

   Num rincão do antigo cemitério de Espada, na parte onde maioritariamente estão os panteões do Século XIX, se depositaram hoje estas flores, e por vez primeira em muitos anos, ondeiam as bandeiras unidas dos que uma vez foram adversários irreconciliáveis.

   Compraze-me muito, a nome dos trabalhadores que têm intervindo na obra, ter devolvido a vida ao pequeno monumento erigido em anos de dor e pena, pela comunidade germana na Habana. Eles quiseram não esquecer aos marinhos sacrificados naquele dia.

   Alegra-me profundamente que num campo de paz e recordação como costumam ser e são os cemitérios, vamos esta manhã, fazendo um alto no caminho.

   Muitos temos que chorar pelos nossos mortos, eles estão aqui, ao menos, como costumamos dizer numa fórmula recorrente os restos mortais.    

   Hoje, o espírito daqueles está conosco e avaliam as palavras de amor e reconciliação com as que se abraçaram ambos os embaixadores em representação de seus povos; pela paz do mundo; pela paz entre todas as nações; pela paz no continente americano sobre a base da justiça e o reconhecimento de valores que nunca transcendem, me alegra ter contribuído, em nome o escritório do historiador, e no meu próprio, a depositar esta oferenda floral. Muito obrigado.

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