Cepal: epidemia não terá grande impacto na economia latino-americana
A epidemia de gripe suína terá pouco ou nenhum impacto sobre as economias da América Latina por seu pequeno número de casos registrados e por não terem sido tomadas medidas tão drásticas como as do México, prevê a Cepal.
"Embora seja muito provável que aumente o número de casos na América Latina, os países estão em alerta e isso permite prever que não haverá um impacto muito significativo. As medidas que foram tomadas estão longe das que foram adotadas pelo México", disse à AFP Jorge Máttar, diretor no México da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
"Para o México, baseio-me nas estimativas do Ministério da Fazenda (uma queda de entre 0,3% e 0,5% do PIB devido à epidemia) e para o restante dos países não me parece que nem um sequer possa sentir um efeito forte", considerou o especialista.
Até agora, 16 pessoas morreram no México e há outras 427 infectadas confirmadas, enquanto que na América Latina só foram detectados dois casos de contágio, ambos na Costa Rica, e outros suspeitos em Chile (16), Argentina (13), Colômbia (pelo menos 10), Peru (9), Venezuela (9) e Brasil (7).
Com os dados atuais, Máttar acredita que a situação não piorará substancialmente, embora a OMS indique que a pandemia "é iminente".
Máttar acredita que o perigo para a América Latina esteja no fato de o continente não possuir uma ampla cobertura de saúde. Também há pessoas em áreas rurais que carecem de recursos e de informações para se protegerem do vírus.
"Vai ser muito importante que possam chegar a elas, sobretudo nos países que têm altos índices de pobreza", frisou o diretor da Cepal no México.
Porque, mais que uma possível emergência sanitária futura, o que preocupa Máttar é a crise econômica que já atingiu em cheio a região e que gerará uma "forte desaceleração" após o período de auge entre 2003 e 2007.
A Cepal prevê para 2009 "uma queda do PIB total e do PIB per capita na América Latina. No momento, temos uma cifra preliminar de 0,3%" de retrocesso da economia regional, calculou.
AFP