Crise mundial: mais profunda do que o previsto

19 de Janeiro de 2009 6:35pm
godking

Durante a apresentação na semana passada no México da seção latino-americana do relatório "Situação e perspectivas da economia mundial", ficou evidenciado que a crise atual será mais profunda do que o previsto.

Segundo os cálculos da ONU, um desempenho "otimista" da economia da América Latina e do Caribe significaria uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da região de 2,7%, enquanto o cenário "de base" prevê um crescimento do 2,3%.

O estudo foi realizado em conjunto pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

De acordo com as estimativas da ONU para as duas maiores economias da região, o Brasil cresceria 2,9% no cenário de base, mas, no pessimista, o crescimento seria de 0,5%. Já o México - cuja economia está muito ligada à dos Estados Unidos - o PIB cairá 1,2% segundo o cenário pessimista e, no melhor, teria um crescimento de 0,7%.

Para o diretor do escritório sub-regional da Cepal no México, Jorge Máttar, a região ressentirá os efeitos da crise mundial especialmente nas exportações, preços de bens primários, remessas, turismo, Investimento Estrangeiro Direto (IED) e na liquidez de crédito.

A América do Sul será a mais afetada por uma queda dos preços dos bens primários, porque nela "a receita de exportação se deve principalmente de petróleo, metais e minerais", de acordo com o documento.

Pelo lado das remessas do exterior, os países mais dependentes delas, como os centro-americanos e os caribenhos, se verão em maiores dificuldades que os sul-americanos.

Além disso, Máttar espera que haja "grande instabilidade" nos envios de dinheiro dos EUA para a região.

"É de se esperar que uma economia mundial que está estagnada ou em recessão gere menos turistas", apontou.

Neste caso, as nações mais prejudicadas por um pobre desempenho turístico serão as do Caribe e da América Central, onde este setor representa uma proporção maior do PIB.

Por sua parte, Vos advertiu que o recente crescimento do dólar em muitos países da América Latina é um fenômeno "temporário" e pediu aos países ter "muito cuidado" para evitarem "aterrissagens forçadas" das taxas de câmbio, que "poderiam criar novos pânicos".

Redação e Agências

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